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domingo, junho 26, 2005

Crônicas da classe média brasileira(2)

A cigarra e a formiga
Versão Clássica:
Era uma vez uma formiga que trabalhava duro, de sol a sol, construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.A cigarra viu aquilo e pensou:
-Que idiota!E passava o tempo todo dando gargalhadas, cantando e dançando. Assim passou todo o verão, alimentando-se de folhas que encontrava pelo caminho, sem nenhum esforço.Ao chegar o inverno, enquanto a formiga estava aquecida e bem alimentada,a cigarra não tinha abrigo nem comida. Morreu de fome.
MORAL DA HISTÓRIA: Trabalhe duro! Seja previdente e responsável.

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Versão Brasileira:
Era uma vez uma formiga que trabalhava duro no sol escaldante de verão,construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.A cigarra pensou:
- QUE IDIOTA!E passou o verão dando gargalhadas, cantando e dançando como nunca,alimentando-se do que encontrasse pelo caminho e não exigisse esforço.
Ao chegar o inverno, a cigarra, tremendo de frio, armou uma barraca de lona na entrada da toca da formiga e convocou toda a imprensa para uma entrevista e exigiu explicações:
- Por que é permitido à formiga uma toca aquecida e boa alimentação, enquanto as cigarras estão expostas ao frio e morrendo de fome?
Todos os órgãos de imprensa compareceram à entrevista (SBT, BAND, ZERO HORA,JORNAL DO BRASIL, ESTADÃO. REDE GLOBO, CNN e outros);
tiraram muitas fotos da cigarra trêmula de frio e com sinais de desnutrição.
As imagens dramáticas na televisão mostraram uma cigarra em deplorável condição, sentada num banquinho debaixo de uma barraca de plástico preto e mais adiante mostraram a formiga em sua toca confortável, com uma mesa farta e variada.

O programa do Datena apresentou um quadro de 15 minutos, mostrando a cigarra cambaleante.O povo brasileiro fica perplexo e chocado com o contraste.A BBC de Londres manda ao Brasil uma equipe para fazer uma reportagem especial a ser distribuída em rede para toda a Europa.
A CBS nos EUA interrompe uma entrevista coletiva sobre a guerra no Iraque,antes da entrega do Oscar, para mostrar como anda a cidadania das cigarras brasileiras.
A notícia recebe apoio imediato de Lula, com a ressalva de que os recursos devem ser dirigidos ao programa Fome Zero e cogita uma Medida Provisória que aumente os impostos para as formigas e ainda obriga as comunidades a promover a integração social das cigarras.
A formiga, multada por supostamente não entregar sua quota de folhas verdes aoMinistério das Folhas e não tendo como pagar todos os impostos e contribuições que foram apurados retroativamente, pede falência.
A Câmara Federal instala uma CPI para investigar a falência fraudulenta de inúmeras formigas abastadas.

O Ministério das Folhas nomeia uma comissão de auditores fiscais suspeitando de que as formigas tenham desviado recursos do FF5 (Folhas Frescas nº 5, do Banco Central) e suspeitas de lavar folhas.A cigarra decide invadir a toca da formiga e lá acampa.
A formiga pede ajuda da polícia e esta informa que não dispõe de efetivo para atender ocorrências desta natureza e também por orientação do Secretário de Segurança, que deseja evitar confronto com os SEM TOCAS. A formiga entra na justiça para obter a reintegração da toca, mas isto lhe é negado.
O juiz invocou um novo ramo do direito, "O ECONÔMICO" e sentencia que a formiga não provou a produtividade da Toca.O Ministério da Reforma Agrária desapropria a Toca da Formiga, por não cumprir sua função social e a entrega á friorenta e desnutrida cigarra.
O Ministério da Justiça, examinando folhas do Jornal Última Hora, descobriu que a cigarra foi presa no passado, por promover algumas greves, assaltos e seqüestros (crimes políticos), e conseguiu sua inclusão no grupo dos perseguidos políticos com direito à indenização federal e pensão vitalícia.

Agora começa novamente o verão, com as formigas trabalhando, as cigarras cantando e dançando, preparando-se para invadir outras tocas no próximo inverno ...

Moral da história : ASSIM É O BRASIL: aqui, enquanto as formigas trabalham,fica assim de cigarras comendo de graça, com apoio do Governo e da Justiça !!

sexta-feira, junho 03, 2005

Crônicas da classe média brasileira(1)

Cenário: "Pai trabalhador e filho estudante dentro do carro a caminho da escola"

Filho: Pai, já que roubaram o som do carro vamos conversar um pouco?
Pai: Claro filho
Filho: Pai, o que é inclusão social?
Pai: Bom filho, é que muitas pessoas têm muito e outras nada têm, a inclusão consiste em dar direitos iguais a todos.
Filho: Ah ta, os integrantes do MST são um exemplo de excluídos né?
Pai: Isso filho.
Filho: Pai, o que eu devo ser quando crescer?
Pai: Bom, primeiro escolha uma profissão que você goste, depois estude muito, mas muito mesmo e depois trabalhe muito mais, dia e noite, só assim você será alguém na vida.

(Atrasados para a escola, o pai pára sobre a faixa de pedestres e é multado, além de ser maltratado pelo policial).

Filho: Pai, o que houve?
Pai: Fomos multados filho
Filho: Mas por que?
Pai: Porque estávamos bloqueando a passagem filho.
Um pouco adiante o trânsito pára, a marcha do MST está passando).
Filho: Pai, por que eles estão bloqueando nosso caminho?
Pai: É a marcha do MST filho.
Filho: Ah tá, e aqueles policiais estão multando eles né?
Pai: Não filho, estão escoltando eles.
Filho: Ué, mas nós estávamos bloqueando a passagem e fomos multados e maltratados, e eles estão bloqueando tudo e são escoltados?
Pai: (silêncio)
Filho: E o que é aquilo ali?
Pai: É o refeitório deles
Filho: Ah sei, lá eles gastam aqueles vales-refeição igual ao seu,que a pessoa ganha da empresa na qual trabalha.
Pai: Não filho, o governo paga a alimentação pra eles.
Filho: Ué, e por que não paga pra você também?
Pai: (silêncio)
Filho: E aquela ambulância lá? Ah já sei, é por causa do plano de saúde que eles pagam né, como você, paga pra poder ter assistência médica né?
Pai: Não filho, eles não pagam plano de saúde.
Filho: Ué, não entendi.
Pai: É o governo que está pagando essas ambulâncias que você está vendo.
Filho: E por que você paga plano de saúde então?
Pai: (silêncio)
Filho: Por que a maioria deles está com rádio?
Pai: Porque o governo doou 10.000 radinhos pra eles se comunicarem.
Filho: Pô e a gente sem som no carro, e você fala que precisa trabalhar pra comprar outro, vamos pedir pro governo então.
Pai: Eles não nos dariam filho.
Filho: Ah, já sei. Você reclama que paga 40% de tudo que ganha pro governo, mas com certeza eles pagam muito mais né? Eles têm todas essas regalias.
Pai: Não filho, eles não pagam nada.
Filho: Como assim?
Pai: (pensativo, em silêncio).
Filho: Pai quero parar pra falar com eles.
Pai: Não adianta filho, eles só falam através de assessor de imprensa.
Filho: Que legal, vamos contratar um assessor de imprensa pra nós pai?
Pai: Filho isso é muito caro, eu precisaria trabalhar o triplo do que trabalho pra poder pagar um assessor de imprensa.
Filho: Mas eles nem trabalham e têm?
Pai: Mas é o governo que paga filho.
Filho: Pai, não foram eles que invadiram um prédio público e fizeram a maior bagunça?
Pai: Foram sim filho
Filho: E o que aconteceu com eles:
Pai: Nada filho.
Filho: E por que eu fiquei de castigo e levei uma baita bronca porque quebrei a lâmpada do poste jogando bola.
Pai: Porque você tem que cuidar e respeitar o patrimônio público filho.
Filho: E eles não precisam?
Pai: (silêncio) Filho: Pai vamos com eles?
Pai: Claro que não filho, você precisa estudar e eu preciso trabalhar.
Filho: O QUE? PODE PARAR, EU VOU COM ELES, APRENDI QUE OS EXCLUÍDOS SOMOS NÓS, QUERO MINHA INCLUSÃO JÁ (desce do carro e se junta à passeata).
Pai: (silêncio ...).

segunda-feira, maio 30, 2005

Lu-La-Fu


O presidente Lula recorre a um monge Shao-Lin.


A imprensa, naturalmente, não noticiou, mas fontes bem informadas do Planalto confirmam os rumores de que o Presidente Lula, sabendo que o ex-Presidente Sarney havia contratado em seu governo o monge Shao-Lin , mestre do Kung-Fu, o consultou e ele recomendou a Lula que também se utilizasse dos serviços do sábio, para orientá-lo em seu governo.

Assim, pela segunda vez, depois de 19 anos, re-contratado como assessor especial da Presidência - DASP, o velho chinês novamente percorreu todo o Brasil, entrevistou-se com políticos e economistas, leu com atenção os jornais, examinou as pesquisas de opinião pública e, a seguir, reuniu-se com a alta cúpula do governo petista.


Lula foi o primeiro a usar da palavra:

- Mestre, fale-nos do meu governo...

- GafanhotoBarbudo, tu também, como GafanhotoBigodudo, foste destinado a aproximar o povo desse país dos ensinamentos de Buda. Continuo afirmando que o homem só atinge o Nirvana após ter-se despojado de todos os seus bens e valores materiais. Quando completares teu mandato, pelas medidas que não tens tomado, o povo desse país atingirá o Nirvana...

- Diga-me, mestre: tenho escolhido bem os meus auxiliares?- A sua equipe é bem dividida(como era a de GafanhotoBigodudo): há, de um lado. aqueles que não são capazes de nada, mas há também por outro lado, aqueles que são capazes de tudo...

(Olívio, Guido, Ciro, Thomaz, Alfredo, Eduardo, Eunício, Celso, Humberto, José, Nilmário, Miguel, Matilde, Nilcéa, Marina,Patrus, Amir, Ricardo, Agnelo, Jaques, José F, Gilberto, Tarso, ufa..... mexem-se nas cadeiras, Aldo, Dirceu e Aloísio fazem-se de desentendidos.
Luís Fernando e Roberto não vieram à reunião pois com a experiência de ex-executivos de grandes empresas, não queriam perder tempo em intermináveis reuniões filosóficas e sim, produzir resultados).

-...Na imprensa há verba e o verbo. Os que não podem desperdiçar a primeira abusam do segundo.(Luís Japonês olha, desconfiado).
-... Mas, de modo geral, são amigos com os quais podes contar. Estão sempre por perto quando precisam de ti...
- Mestre, fale-nos das decisões.Como devo tomá-las? insistiu Lula.
GafanhotoBarbudo, há três maneiras de tomar péssimas decisões. Uma é não ouvir ninguém, outra é ouvir todo mundo, a terceira é ouvir só o marqueteiro. Tu tens oscilado entre as três formas. Mas, de modo geral, o que o caracteriza perante o povo é que só tomas decisões difíceis quando deixar de tomá-las se torna mais difícil ainda...


- E quanto ao José Ribamar. Não devo ouvi-lo, também?

- Um comandante, GafanhotoBarbudo, comanda o navio. Dois comandantes afundam o navio...

- E quanto ao Antonio Carlos Malvadeza?

- Os homens que são forjados no culto à força e à malvadeza, só admiram e respeitam aqueles que a possuem.Não conte com eles, mas também não os provoque. A prudência é filha da sabedoria.Jamais insultes um jacaré antes de ter atravessado o rio...

- A base aliada, mestre, deve ser mantida?

- GafanhotoBarbudo, quando o gato faz as pazes com o rato, quem se arruína é o dono do armazém...

-Então devo optar por quem? Eu, pessoalmente, acho que o Antonio Palhoça com a sua política econômica neo- liberal...

- O liberal, Gafanhotobarbudo, é um ingênuo que acredita que jogando bifes aos tigres acaba por torná-los vegetarianos...

- A oposição tem elogiado muito ele...

- Dependendo de quem aplaude, é mais prudente mudar o discurso...

- O Renan, pelo menos, tem demonstrado alguma receptividade às minhas idéias...

- Quando um homem diz que concorda com tuas idéias em princípio, é porque não tem a menor intenção de apoiá-las na prática...

- Mestre, o que o sr. acha do Henrique?

- Aprenda, Lu-La-fu, uma lição. A fleuma de banqueiro não faz parte das emoções humanas. O banqueiro que sorri quando as coisas vão mal é porque encontrou alguém de quem cobrar a conta...

-Como devo agir doravante?

- Não deves fugir de sua Natureza. Nunca deixes para amanhã o que podes fazer no ano que vem...Pelo que aprendi em seu país e confirmei nesta segunda visita, por trás de cada grande problema continua existindo um pequeno problema lutando para crescer. E na tua gestão, Gafanhoto Barbudo, a maior causa dos problemas é a falta de soluções...

- E quais devem ser as minhas expectativas?

- Segundo os ensinamentos milenares do Kung-fu, falatórios, bravatas, discursos que geram expectativas positivas sem ações efetivas, não produzem nenhum resultado.

- E agendas positivas?

- No seu caso, também...

- Nada mais me resta, então?

- Há algo que tu podes fazer, GafanhotoBarbudo. Requisite o Sucatão, embarque todo o seu Ministério e passe umas férias em ComandaCuba...

- Mas esse avião não é seguro, mestre! Se cair no mar não se salva ninguém...Por que não usar o Airbus novinho que eu comprei!!!

- Engano teu, Lu-La-fu. Salva-se o Brasil...

ADAPTADO(COM AUTORIZAÇÃO DO AUTOR) DE CRÔNICA DE JOÃO MELLÃO NETTO PUBLICADA NO “ ESTADO DE SÃO PAULO” EM 1988



sábado, fevereiro 19, 2005

Um “causo"– Um grande mico que eu paguei e não esqueço

Em 1969, eu tinha 17 anos. A minha turma de amigos , vizinhos da Rua Galeno de Almeida, bairro do Sumaré em São Paulo e adjacências, se constituía de 19 pessoas, sendo somente 2 garotas, todos na mesma faixa de idade. Um desses meus amigos, mais velho 3 anos, estudava na FEI e trouxe para a turma alguns colegas que moravam perto. Um desses colegas, o Flávio, tinha carro e isso era uma grande vantagem pois a gente saía em bando nos poucos carros que eram disponíveis( poucos pais emprestavam seus carros pra gente) para paquerar na Rua Augusta. Me lembro bem, era um Fusca 1300 , cor bege escura, padrão “merda” com rodas largas e escapamento Kadron, saída lateral. O Flávio tinha um cunhado(irmão da namorada dele), que trabalhava na redação da nova revista lançada pela Editora Abril, em substituição à revista Realidade, cassada pela ditadura. Chamava-se VEJA. Eu tinha uma certa atividade político-estudantil no colégio, meio cerceada e velada e uma profunda antipatia pela ditadura que estava instaurada no país e esse rapaz, estava animadíssimo com a nova revista que segundo ele, viria a ser o novo baluarte da imprensa contra os abusos do governo.

Apesar de mais velho, ele aparecia nas nossas rodinhas e gostávamos de ouvir suas histórias e o admirávamos por ser com tão pouca idade um jornalista de sucesso.
Certa noite, ele apareceu lá na rua, procurando a turma para convidar-nos a ir a um barzinho comemorar o lançamento da revista. Só estava eu. A turma toda estava ou namorando ou fazendo outras coisas. Ele então me convidou. Estava com uma amiga(não sei se namorada ou paquera). Fomos então ao Carcará lá na Rua Tutóia, perto da Rua Manoel da Nóbrega, tomar chopp. Era o boteco da moda na época. As “inteligentsias” se reuniam lá pra beber, falar mal da vida alheia e conspirar contra o governo. Eu achei o máximo. Convidado por um cara muito mais velho(uns 5 anos mais velho), jornalista, era uma honra para mim. Ainda mais eu sendo “de menor”.

Lá fomos. Eu não havia jantado. Dei uma desculpa em casa dizendo que voltaria cedo e ia sair com os amigos pra comer um hambúrguer no PASV( a lanchonete da moda no bairro era o PASV , na Rua Teodoro Sampaio- hoje é loja de móveis).
E, apesar de já ter tomado meus chopinhos e cervejinhas poraí, não estava acostumado com a chopada em profusão que aconteceu. À medida em que a conversa intelectual na mesa foi se desenvolvendo, eu ia tomando chopp após chopp sem colocar uma só batatinha na boca. Eu não perdi a lucidez, aliás nunca perco nem que tome um barril de chopp sozinho mas o meu estomago se revirou de tal forma, que lá pelas tantas, sem prévio aviso, o chopp voltou todo, de uma só vez, em cima da mesa. Não deu tempo nem de correr pro banheiro. Um puta vexame!!!
Me lembro que a moça, me olhou com um misto de desprezo e nojo(talvez pensasse, “o que o Edgar foi fazer trazendo este moleque conosco?”) e eu me senti super mal, envergonhado.
Resultado: estraguei a comemoração, porque ele teve que me trazer de volta pra casa. Ainda bem que ele foi discreto pois se contasse pros meus amigos o episódio, eu seria objeto de profundas gozações e até hoje ninguém se lembra ou comenta isso. Mas este fato me marcou.
Talvez por isso, eu sou assinante da VEJA até hoje. São mais de 30 anos. Será que é uma compensação pelo mico?

sábado, janeiro 29, 2005

Os cães ladram e a caravana passa....

Esta frase famosa, dita por muitos e repetida à exaustão pelo já falecido colunista social Ibrahim Sued, quando as pessoas faziam gozações pelos seus tropeços de linguagem e gafes, deve hoje ser a frase preferida de Lula e seus amigos, seguidores e “companheiros” . Afinal, Sued também foi uma pessoa que saiu do nada e galgou os degraus da sociedade com seu esforço, inteligência e habilidade no trato com os “socialites” além do que tinha uma cara de pau enorme. A diferença básica no caso é que Sued ficou rico mesmo e se bandeou para as “elites” e Lula embora pareça que não é rico, ficou os últimos 20 anos até se eleger Presidente, ganhando sem trabalhar, na condição de líder sindical e dirigente de partido político. A semelhança básica e gritante, é a facilidade com que os dois assassinam a língua pátria e as gafes cometidas, de propósito.Um, para aparecer na mídia e o outro com propósitos populistas, de se perpetuar no poder. O petista mais atento e que leia este texto, diria agora que é preconceito meu pois a grande maioria do povo brasileiro não sabe falar direito o português. E eu preventivamente respondo que essa falha é perfeitamente desculpável em quem não teve a chance de estudar e aprender direito nossa língua. Isso eu não desculpo no nosso Presidente de plantão. Ele teve a chance sim, a partir do momento em que não tinha mais que trabalhar de sol a sol e (cá entre nós) ganhando dinheiro no mole na maioria das vezes, vivendo em casas emprestadas de amigos.
Não quis porque foi preguiçoso ,sim! Afinal seu companheiro e amigo Vicentinho, conseguiu chegar à profissão de advogado.

Mas, certamente, indiferentes às críticas, eles lá no Planalto, entronados, vivendo a condição de novos ricos, devem realmente estar rindo e se divertindo às custas das desgraças e mazelas do povo, vendo críticas como estas e dizendo: Deixa falar! Os cães ladram e a caravana passa....

(Vejam a íntegra deste post no meu blog http://estoudeolho.zip.net)

sexta-feira, setembro 24, 2004

Reminiscências pessoais (5)

1995 até hoje
O interessante com o passar dos anos é que o pessoal e o profissional começam a se misturar cada vez mais. O fato de você ter uma empresa própria, trabalhar como profissional liberal , “por conta” como se diz no popular, implica em trazer a família para mais perto dos problemas de trabalho. A verdadeira montanha russa que é atuar neste mercado altamente competitivo, numa economia altamente instável como a brasileira, onde não se consegue fazer um planejamento financeiro da empresa que enxergue horizontes além de seis meses faz com que você procure conscientizar a família (que depende de você), destas incertezas. É difícil conscientizar um jovem filho, criado no melhor ambiente pequeno burguês, estudando em boas (e caras) escolas particulares que o mundo que era bom passa a ser mau.E que a relativa estabilidade financeira familiar que perdurou por mais de 15 anos, passa a ser uma relativa "instabilidade" financeira. Fazer as pessoas aceitarem esta mudança de ponto de vista acaba gerando atritos e inconformismos. Daí vêm os palpites, cobranças, questionamentos.

Aliado a isto, vêm as escolhas erradas de parceiros e colaboradores profissionais baseadas apenas no sentimento e não no pragmatismo, um grave defeito meu, dizem alguns amigos e familiares (sou teimoso, até hoje não acho isto). Mas estamos aqui nesta vida para aprender com ela e adquirir experiências sejam elas boas ou más.

Os seus erros e acertos profissionais acabam refletindo-se quase que imediatamente na sua vida pessoal, principalmente no aspecto financeiro e o sábio ditado “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão” acaba se confirmando.

O fato é que como tudo passa nesta vida, os últimos quatro anos, com o consequente amadurecimento pessoal e familiar advindos dos altos e baixos pecuniários e emocionais anteriores constituem-se até agora nos melhores anos desta vida.

Não que os altos e baixos pecuniários tenham acabado. Pelo contrário. As fases baixas são mais longas que as fases altas. A soma não dá para dizer que o futuro é cor-de-rosa.Hoje está mais para vermelho (risos incontidos). Eu já há um bom tempo me conscientizei que tenho que trabalhar para sobreviver pelo menos mais dez anos do que eu pensava há dez anos atrás. Trabalhar por diletantismo, por hobby? Parafraseando Fernando Gabeira, que que é isso, companheiro?

A família, em vez de diminuir, aumentou. Ganhei um genro e dois cachorros. Até o novo casal se estabilizar tem um tempo. Devemos dar apoio. E os cachorros devem viver mais uns dez anos pelo menos e custa caro manter a conta do pet shop e do veterinário.

Enfim, chegamos ao presente. O melhor de tudo isso que contei até agora foi constatar que o meu bom humor não mudou.A minha compulsão de ajudar as pessoas também. O humor é mais cáustico porém continua bom humor. Tenho hoje uma visão mais humanista do que cartesiana do mundo e do país em que vivemos. Porisso, tomei a iniciativa de participar e entender melhor os aspectos sociais e políticos que tanto influem em nossas vidas pessoais e profissionais. Assim o farei, sem um engajamento profundo mas sim como contribuição.

Dizem que sou bom contador de “causos” e tentarei daqui por diante justificar esta fama. Meus futuros posts serão somente “causos”. Sem me ater à linha do tempo. Espero poder entreter os leitores deste blog. Mas se não conseguir, paciência. Continuarão a ser registros que considero importantes para mim.
Até o próximo “causo”

quarta-feira, setembro 15, 2004

Reminiscências Profissionais(4)

1995/1996
Vôo solo

Pela segunda vez na vida profissional, parti para um vôo solo. Diferentemente da primeira vez, onde tínhamos uma recessão braba, dentro da nova experiência do Plano Real, país em retomada de crescimento, globalização em curso, 10 anos mais velho, bem mais experiente no trato comercial e gerencial. A idéia acalentada já há um ano, era aproveitar a onda, com uma lista de contatos comerciais bem ampla. Fundei minha empresa em associação com um colega de faculdade também ex-colega da minha ex-empregadora, doravante chamada de “viúva”. Naturalmente, este primeiro ano foi de resultado “quase zero” com algumas consultorias aqui e ali. Consegui para o meu colega uma consultoria como terceirizado na “viúva”, no projeto do túnel Jânio Quadros. Quando “alguéns et caterva” lá na “viúva” souberam que eu de alguma forma estava ligado a ele, tentaram cancelar o contrato e chegaram a falar que o motivo era que eu seria “persona non grata” na empresa. Quanta baixaria!!! Realmente, a "viúva" não era mais a mesma. Eu havia juntado um pequeno “pé-de-meia” que serviu de capital de giro. Em 1996, o primeiro grande contrato com uma multinacional, conseguido através de amigos que lá haviam trabalhado. Amigos estes que depois viriam a ser “associados”. Neste mesmo ano, através de meus contatos, consegui um grande contrato com uma multinacional francesa “roubando” este contrato da “viúva”. Este cliente permaneceu conosco até 2002 quando saiu do Brasil por conta das incertezas econômicas de nosso país.

A experiência como empresário se comparada à de empregado é muito mais rica. Se por um lado, como empregado, você tem uma certa estabilidade, direitos garantidos, a posição de executivo exige dedicação além da conta. Saí da “viúva” com 3 férias vencidas, ou seja, 3 anos sem aquele tempinho para relaxar e se dedicar a você mesmo. A jornada de trabalho era em média de 11 horas por dia. Eu na minha posição não tinha a obrigatoriedade de horário fixo, rígido mas acabava sempre me dedicando horas a mais, nunca a menos. Como empresário, você não tem hora, não tem sábado, domingo, feriado, FGTS, décimo terceiro, o seu sucesso depende de você e do incentivo que você dá aos seus colaboradores, a instabilidade é constante, depende dos humores do mercado. A sua capacidade criativa é altamente incentivada. É muito mais desafiante.
É como eu digo: Você vive entre momentos de profunda euforia e profunda depressão.
Mas quando você se programa, pode muito bem fazer um “day-off”.Aquela sensação gostosa de cabular aula sem dar satisfações a ninguém. Se a grana dá e o cliente deixa, você fecha o “buteco” por 15 dias e vai viajar. Se o cliente é mau cliente, você pode mandá-lo passear. Você pode até se dar ao luxo de fazer um blog e postar reminiscências como agora estou fazendo em plena quarta-feira, às 11:25 da manhã sem ter um pentelho tentando policiar o que você está fazendo.

terça-feira, setembro 14, 2004

Reminiscências Pessoais (4)

1989/1994
Re-estabelecido em São Paulo, novos desafios profissionais( já vistos no post anterior). Aí comecei a sentir na pele o que é a competição dentro de uma grande empresa.Em Salvador, pela distância da matriz, estava imune a certas práticas perversas costumeiras no ambiente executivo.Em São Paulo, ciumeiras, disputas mesquinhas, falta de coleguismo, falsidades, a terra selvagem. Não era muito minha praia. Mas temos que ir em frente, administrar. Em 1990,1991 e 1992, fui considerado um dos melhores executivos da empresa, com direito a prêmio, tapinha nas costas e tudo. No início de 1995, fui execrado como incompetente e demitido de forma( a meu ver) indigna e humilhante depois de 20 anos de bons serviços prestados. Em nome da disputa pelo poder. Eu era da turma que perdeu a disputa. O pior é que estava enxergando o processo e não agia. Isto afetou sobremaneira a vida pessoal naquele período. Stress, hipocondria, altas irritações. Perda da qualidade pessoal de vida. Mas não me afetou no amor próprio. Como ser humano, muita gente ficou no meu caderninho negro. Acham que não? Um dia dou nomes aos bois.

Reminiscências Profissionais(3)

Mais Oscar Niemeyer y otras cositas – 1990 a 1992

Foram anos profícuos, apesar do confisco do Collor. O Memorial me deu um certo prestígio na empresa. Junto com Oscar, fizemos a partir daí, o Sambódromo de São Paulo, batizado de Pólo de Arte e Cultura Grande Otelo, o Centro Cultural de Osasco ( que não saiu do papel) , O Teatro Estadual de Araras (apelidado de teatro da sogra do Quércia) e o Parlamento Latino-Americano dentro do Memorial. Teve também o Monumento "Tortura Nunca Mais" em Volta Redonda, que foi literalmente explodido depois de pronto. Acho que não durou um dia...

1992-1994
Com a posse de Itamar, a queda das atividades do país caiu vertiginosamente, a inflação foi às alturas e iniciou-se o processo da reengenharia, modismo administrativo importado de um brilhante (brilhante porque ficou rico com um livro e palestras pelo mundo todo e depois sumiu na poeira) economista americano que virou moda. A minha definição da reengenharia era: “A melhor forma de fazer com que uma só pessoa faça o trabalho de 10 no mesmo tempo disponível e com a mesma remuneração”

Em 1993, veio o modismo da ISO 9000 onde eu atuei como Gerente da Qualidade, responsável pela certificação de nossa unidade de negócios. A minha definição da ISO-9000 era e é : “Se você fabrica merda enlatada, ao certificar-se na ISO-9000 poderá garantir ao seu cliente que fará a merda enlatada sempre com as mesmas características de consistência, cor e odor.”

Eu tenho a impressão que estas minhas posturas sarcásticas não agradavam muito os meus novos superiores(os antigos haviam saído) e eu era chamado então de “velha bahiana” aquelas senhoras que desfilam lá no final da escola de samba, mostrando o passado...

O fato é que estas técnicas, não se adequavam corretamente ao processo de engenharia consultiva, como ficou provado depois. A engenharia de projetos é uma atividade de criação e não deve ser pasteurizada.
Assim, fomos tentando viabilizar novos negócios, terceirizando para reduzir custos até que a empresa, que já vinha mudando o seu foco para as telecomunicações, concentrou-se ainda mais nesta área. O meu tempo na empresa havia se esgotado. Metas dificilmente alcançáveis eram impostas. A área industrial, estava parada. Até o Fusca voltou! Eu que era responsável pela gerencia da construção de um shopping center, fui substituído por um integrante dos “novos bahianos” que estava sem função. Eu comecei seriamente a pensar em dar o meu vôo solo. Até que, por um infeliz(ou feliz?) acidente, no final de 1994, fiquei hospitalizado e afastado por 3 meses do trabalho. Fizeram minha cama(soube bem depois) e fui “saído” da empresa depois de 20 anos, no dia em que retornei à atividade. Mas sem crise! O fato foi benéfico. A forma foi deplorável. Não da minha parte, mas de “colegas”. Vivendo e aprendendo.

sexta-feira, setembro 10, 2004

Reminiscencias pessoais (3)

1985/1988
A Nova República veio junto com a hiperinflação que chegou a 225% em 1985. Eu estava quieto em minha pequena empresa, quando no início daquele ano, me veio um convite de trabalho que mudou a nossa vida da água para o vinho. O pessoal da Promon me convidou para assumir um ótimo cargo em Salvador-Bahia. Logo eu? Paulista, Paulistano, Pinheirense assumido! Fiquei de analisar o convite. Estava estável financeiramente, em teoria, não precisava mudar, mesmo sendo em uma empresa onde já havia trabalhado por quase 10 anos. Mas aí um mês depois, um fato aconteceu que me fez decidir mudar a vida. A violência urbana de São Paulo chegou a mim. Um tiroteio em frente à minha casa entre assaltantes e policiais, sendo que minha filha , com 4 anos de idade, assistia pela nossa janela. Fiquei assustado pois a minha rua era um oásis de tranqüilidade.Pimenta nos olhos dos outros não arde até que a sopram no seu olho...
Aceitei o convite, me desvencilhei dos trabalhos aqui, e nos mandamos de mala e cuia prá Salvador, cidade que eu não conhecia. Outra gente, outros costumes, um espanto para um paulistano típico como eu. E o desafio de começar de novo, numa filial da empresa partindo quase do zero. Acabou sendo uma das melhores fases da vida. Três anos e meio onde pudemos conhecer grandes amigos e ter uma qualidade de vida muito superior à que tínhamos em São Paulo. Em 1986, veio o Plano Cruzado que da euforia inicial, passou a ser nove meses depois o maior estelionato político deste país. Mas este é assunto para comentar no meu outro blog (http://estoudeolho.zip.net) . Este aqui é só para coisas pessoais. A inflação galopante fazia parte das nossas vidas pessoais. A gente tinha que fazer as compras de supermercado no dia 5 quando saía o salário senão a inflação comia a grana. Chegou a 366% em 1987 e a 933% em 1988. Por uma questão profissional, de crescimento dentro da empresa, topei a volta às origens. De volta a Sampa, contra a vontade de Kaká e júbilo de minha filha.