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segunda-feira, setembro 06, 2010

Às favas com os direitos

`O Estado de S. Paulo`  




05 de setembro de 2010 | 0h 00
Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br - O Estado de S.Paulo

Só pesquisas podem medir com alguma chance de precisão se um episódio como o da quebra reiterada de sigilo fiscal nas dependências da Receita Federal mexe com a sensibilidade do eleitorado ao ponto de fazer da preservação do Estado de Direito um dos fatores para definição de voto.
A primeira impressão é a de que não influi. Isso com base no peso que a população tem dado a questões como valores e princípios.
A ética foi enterrada como indigente. Em silêncio, sem choro nem vela e à grande maioria pouco se lhe dá se o Estado aumenta seu poder discricionário, invade privacidade, agride a Constituição, barbariza com o patrimônio público, usa, abusa e ainda sai dizendo que o que vem debaixo não o atinge.
Distorce a verdade para fazer o papel de vítima sabendo-se na condição de algoz.
Permite que o ministro da Fazenda assuma como normal a insegurança dos dados do contribuinte e, se alguém diz que isso é crime de responsabilidade, acusa "golpe eleitoral".
Enquanto isso os mais pobres se alegram em poder comprar, atribuindo a bonança à ação de um homem sem compreender que é resultado de um processo; os mais ricos não querem outra vida; os mais retrógrados nunca tiveram tanto cartaz; os mais à esquerda não perdem a esperança de vir a ter; os mais conscientes percebem algo fora do lugar, mas preferem se irritar porque não têm ao seu lado também um líder carismático e sem pudor.
Em um cenário assim desenhado, convenhamos, os valores que estão em jogo soam difusos para o grosso do eleitorado: os deveres do Estado e os direitos do cidadão.
Neste Brasil de tantas necessidades é provável que, se for posto na balança de um lado o crédito farto e de outro a liberdade parca, o prato penda a favor do consumo largo.
É um debate difícil de ser feito. Quase impossível em períodos eleitorais porque sempre haverá por parte dos acusados a alegação de que são injustamente atacados por adversários "desesperados", enquanto a essência da questão se perde: a invasão do espaço institucional por tropas de ocupação com interesses específicos. Ideológicos, fisiológicos ou simplesmente corruptos.
Sob a indiferença das vanguardas (onde?) e deixadas à mercê do poder da propaganda, as pessoas não conseguem ter a dimensão da gravidade.
Não atentam para o seguinte: o Estado que deixa sigilo ser quebrado, não se incomoda com propriedades privadas invadidas e insiste no controle dos meios de comunicação amanhã ou depois pode querer reduzir a liberdade alegando agir em prol do povo e do patriotismo como fator indispensável ao triunfo do Brasil.
Por isso é improvável que haja repercussão eleitoral. Se houver, terá sido por causa dos tropeções e das contradições do governo.
A naturalidade do ministro da Fazenda ao dizer que as informações do contribuinte não são invioláveis é tão escandalosa quanto a quebra de sigilo.
Nesse caso a urgência fez a imprudência. No afã de afastar de Dilma Rousseff as suspeitas de uso político da máquina pública, Guido Mantega informa ao público pagante que a Receita Federal e a casa da mãe joana são ambientes similares.
Uma confissão de incapacidade de prestar o serviço contratado pelo cidadão e a impossibilidade de cumprir a lei que se impõe a todos.
É a rendição do Estado à ação do crime.
A propósito, se era para dizer uma estultice dessa envergadura o ministro da Fazenda estava mais bem posicionado em sua omissão diante dos fatos.
Quórum. Dos 22.561 candidatos inscritos às eleições deste ano só 55 haviam se cadastrado no site ficha limpa.org.br até a tarde de sexta-feira.
Significa dizer que 0,24% dos concorrentes a mandatos se dispuseram a firmar compromisso com a Lei da Ficha Limpa e a semanalmente prestar contas sobre as doações e os gastos nas respectivas campanhas eleitorais, apresentando também declaração de que não são alvos de processos nem renunciaram a mandatos eletivos para evitar cassações. 


sábado, agosto 28, 2010

Homenagem mais que justa

São 300 GP´s e 18 anos de carreira. Apesar da incompreensão de alguns que acham que somente a vitória é digna de reconhecimento, eu que acompanho a F1 de perto há 37 anos, considero que Rubinho está entre os melhores do mundo na sua profissão. Não foi campeão até agora apesar de ter estado no lugar certo mas em horas erradas. Rubinho sempre foi e é um dos melhores do mundo da F1. Como piloto, como pessoa, como esportista. Parabéns, Rubens Barrichello! Voce ainda pode chegar lá e sei que você acredita.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Como a opinião publicada pode influenciar resultados

Há um mês atrás, as pesquisas de opinião apontavam na média, um empate entre os principais candidatos. Havia divergências entre os maiores institutos de pesquisas que de lá para cá foram diminuindo e hoje mostram de forma uníssona uma vantagem até folgada para a candidata do governo e com tendência até de ela ganhar no primeiro turno.Isso me causa um certo espanto e desconfiança nesta virada de resultados tão drástica. ficam duas perguntas:
Será que o povo brasileiro é tão volúvel assim na escolha das pessoas que podem governá-lo?
Ou, será que temos por trás destes resultados uma espécie de conspiração midiática para influenciar o lumpen?

O blogueiro Lucio Neto teve a paciência de analisar em detalhes a última pesquisa Data-Folha que junto com o Ibope são os institutos mais tradicionais e com melhor reputação do país. Chegou a resultados interessantes que devem ser vistos como uma coincidência esquisita ou uma pré-concebida manipulação de opinião que se tem como pano de fundo a  propaganda sub-liminar favorável a um dos lados da disputa. Vejam no link do post abaixo as conclusões do blogueiro.

EXTRA!EXTRA! DATA-FOLHA Também faz parte da conspiração para eleger Dilma! 

Não é na mídia nacional que as opiniões do lumpen se formam. Sabemos que são nas cidades, no dia-a-dia nas conversas de botequim, nas padarias, igrejas, nos pontos de ônibus que se definem as tendências do eleitor. Os prefeitos neste caso são aqueles que mais podem influenciar a opinião de seus cidadãos. Se o prefeito vai bem, é natural que os eleitores tendam a votar no candidato por ele apoiado. Uma forma de evitar a divulgação destas tendências e "forçar" resultados gerais em favor de determinado candidato é simplesmente não fazer pesquisa em municípios governados por prefeitos de oposição. Como estatística é uma ciência matemática baseada em dados de entrada, se estes dados indicam uma determinada direção, o  resultado com grande probabilidade sairá nesta direção. Parece que no caso do Data-Folha, foi isso que aconteceu. Foram feitas mais de 10.000 entrevistas em 370 cidades do país e destas 370, 278 ou seja, 75% do total foram entrevistas em cidades administradas por prefeitos apoiadores do governo! Segundo o DATA-FOLHA, isso se deu por sorteio. Se foi um sorteio mesmo, que pontaria! Ou será que foi um sorteio dirigido aos moldes do sorteio dos times da Copa do Mundo?
Não dá para entender por exemplo, que nas regiões de maior densidade eleitoral e maior nível de informação como Sul e Sudeste em apenas um mês a tendência se inverta, como apontou o DATA-FOLHA.Será que este eleitorado é tão desinformado e volúvel assim?

Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.