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sexta-feira, outubro 14, 2016

PSDB - Ao contrário do PSD, é o partido que nunca soube ser nem de situação nem de oposição



Anos e anos (poderia dizer décadas) de furioso combate aos que defendem e defenderam uma linha política e governamental social-liberal integrada ao capitalismo vigente tornaram impossível o desenvolvimento de uma opção mais inteligente ao eleitor brasileiro. O PSDB nasceu em 1989 para ser a vertente social que aliada a grupos liberais, poderia comandar o país nos mesmos moldes dos países europeus que deram certo como os países escandinavos e a maioria dos países da União Européia. Uma aliança entre a visão social e a visão liberal onde, ao mesmo tempo que incentivava a redução de desigualdades proporcionava o desenvolvimento econômico, dando oportunidades a todos de progredir e participar do resultado desse progresso.
Foi esta a visão que me fez aderir de bate-pronto lá atrás a esta aliança. Parafraseando de certa forma Delfim Netto(suas palavras, não ideias) “fazer o bolo crescer e dividir” de forma justa com aqueles que contribuíram para este crescimento, sem privilegiar determinado grupo aqui e acolá, sempre com base no mérito de cada um.
E utilizando uma parte do bolo, ajudar aqueles chamados " miseráveis excluídos" a se inserirem com dignidade nessa sociedade para poderem colaborar e participar do crescimento. Tudo isso numa base democrática do debate produtivo, do confronto de idéias, de uma liberdade de pensamento.
Essa idéia vingou e o PSDB social junto com seus aliados liberais comandou o Brasil a partir de 1994 alicerçado numa base firmada no Plano Real de 1994 que praticamente “zerou” as mazelas do passado e pelo menos no campo econômico, proporcionou ao povo uma brutal redução de desigualdades. Passados 4 anos, o que se viu foi um progressivo aumento nos intestinos do partido, da soberba, das disputas mesquinhas, de pessoas querendo disputar a hegemonia e puxar para si as glórias do sucesso. Encastelados no poder, essas pessoas desprezavam os seus eleitores nos mesmos moldes dos monarquistas de antigamente, não ouviam os anseios da sociedade achando-se superiores e donos da verdade.
Pior.
Internamente, disputas surdas e mesquinhas ocorriam desmanchando a união inicial que levou o partido ao poder. Como resultado dessas disputas, venceu então uma corrente que pregava alteração na Constituição dando a oportunidade do partido de estender através das urnas a sua continuidade no poder, mantendo no comando o grupo vencedor de 1994. Veio então a reeleição, o verdadeiro tiro no pé que levou o lulo-petismo a permanecer por 13 anos no poder.
O mundo atravessava um progresso econômico raro, o partido navegava em águas calmas. Não tinha adversários nem do lado mais puramente socialista nem do lado mais puramente liberal. Mas daí, num surto incrível de arrogância aliado à miopia econômica, membros da corrente vencedora das disputas internas não quiseram enxergar (ou o que é pior, não viram) que o modelo vencedor adotado necessitava de ajustes para adequar ao meio ambiente global que se avizinhava conturbado.
O Plano Real original começou a fazer água. Tardiamente, fizeram ajustes mas daí, o crescimento social e econômico já havia sofrido perdas irrecuperáveis e as vertentes ditas “progressistas” do socialismo ortodoxo, autoritário e populista ganharam força e voz.
Deu no que deu. Em 2002, o PSDB perdeu sua hegemonia e as eleições e daí para a frente nós sabemos como aconteceu. Mas é assunto para depois.

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