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terça-feira, setembro 06, 2016

A operação Greenfield

Esse rolo dos fundos de pensão me traz a lembrança de quem viveu e conheceu de perto o mecanismo de financiamento de empreendimentos usando o dinheiro desses fundos. É uma informação, não um testemunho pois não participei dos meandros mas soube de detalhes por pessoas que assistiram de perto o esquema. 

 Desde que existem estes fundos, os investidores sempre tentaram sobrevalorizar seus empreendimentos para minimizar o valor do dinheiro que sairia de seu bolso.Porque a Lei limita em 70% o valor que os fundos poderiam aportar no empreendimento, deixando os restantes 30% por conta do investidor. Assim, se um determinado empreendimento custava X para ser construído, o investidor encomendava estudos técnicos para demonstrarem que custaria X+30%. Assim, caso o fundo ao examinar os dados aprovasse o investimento, o investidor não precisaria colocar toda a sua parte. Dessa forma, muitos empreendimentos foram assim construídos. 
Os mais notórios são os shopping centers cuja grande maioria no Brasil foi construída dessa forma.Não que todos os empreendimentos tenham conseguido realizar essa maracutaia tecnico-financeira pois a área técnica dos fundos por vezes apontava as distorções e negava o aporte. 

Antes da era petista, os fundos eram dirigidos por gente competente mas sempre havia um que escapava da análise técnica por lobismo ou pelo fato do pessoal técnico dos fundos não ter competência para analisar corretamente ou pelos dois casos .

A partir de 2003, Luiz Gushiken, o falecido dirigente petista, passou a indicar os responsáveis pela gestão dos fundos de pensão das estatais notadamente o PREVI,FUNCEF, fundos dos bancos do Brasil e da Caixa Federal e PETRUS da Petrobrás, os maiores fundos do país. Indicou para dirigir tais fundos pessoas ligadas ao PT, sindicalistas fiéis ao partido. Aí, juntou-se a fome com a vontade de comer. 

Por anos a fio, ficou a desconfiança que empresários malandros em conluio com os administradores dos fundos e com o aval do governo sobrevalorizavam o empreendimento e em contrapartida, parte do dinheiro era desviada para suprir os custos de campanha política e os bolsos dos envolvidos. Pior, muitos empreendimentos não tinham retorno adequado o que ao longo do tempo causaria prejuízo aos fundos o que se constatou na realidade. É o caso atual do POSTALIS dos Correios que não tem dinheiro para bancar os pecúlios e aposentadoria dos participantes. 

Portanto, não espanta o fato de estarem sob investigação pela operação GREENFIELD os empresários citados na imprensa, os dirigentes de fundos e o ex-tesoureiro do PT. Como se vê o governo petista aparelhou as estatais, os fundos de pensão, profissionalizou a maracutaia em seu benefício e em benefício de empresários gananciosos e malandros. Mas em prejuízo do Brasil. 
O mesmo procedimento aconteceu no BNDES, ainda por apurar e que é a maior parte do iceberg da sujeira. Aguardemos a justiça.

Um comentário:

Fabio Mayer disse...

E o resultado é um rombo que afeta ao menos 500 mil pessoas, cujas remunerações não seriam suportadas pela Previdência Social. Os funcionários da Caixa, do Banco do Brasil e da Petrobrás se aposentavam, digamos, "bem", com benefícios muito maiores que o da previdência social, agora, ninguém sabe o que vai acontecer...