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terça-feira, julho 01, 2008

Inflação x Impostos... e uma campanha

Amanhã, 2 de julho de 2008 a arrecadação de impostos no país atingirá 500 bilhões de reais, vinte dias antes que no ano passado e isso sem a CPMF. Se a CPMF ainda existisse, o número teria sido atingido na semana passada.

A arrecadação este ano é recorde. O crescimento de janeiro a maio foi 17,26% em relação ao ano anterior. O PIB cresceu 5,2%.As despesas do governo então, cresceram 9,14% com relação ao mesmo período do ano passado. 80% mais que o crescimento da economia.

A inflação acumulada até junho, é de 6,82% segundo o IGP-M da FGV. Segundo o IBGE, o IPCA que mede a inflação “oficial” acumulou 2,88% até maio e não temos ainda o índice de junho. Mas pelo andor da carruagem, este índice deverá acumular em junho qualquer coisa perto de 4% a se repetir a variação do mês passado.

Nos dois índices, os vilões foram os alimentos e os preços de materiais básicos industriais, principalmente arroz,carne bovina, legumes, farináceos, óleos e massas no caso de alimentos e o aço no caso dos materiais básicos.

Notem bem que produtos de consumo industrializados ainda não contribuíram para esta alta. E falo de TV´s, celulares, geladeiras, fogões, automóveis, aparelhos de som, etc.

Já se fala em aumento maior dos juros do governo como forma de conter a escalada da inflação.

Aumentar juros mais drasticamente, certamente reduzirá o crescimento da economia como um todo, ao reduzir o consumo. Os bancos sairão ganhando ainda mais, como sempre. A população consumirá menos alimento pois quem tinha que comprar bens de consumo a crédito já comprou e com prestações mais altas, não comprará mais. Pelo contrário, para poder honrar compromissos, diminuirá o consumo alimentar ou pelo menos não aumentará. É uma das saídas mas não a melhor pois a dívida pública do governo aumentará e a economia se reduzirá.

Porém eu pergunto: por que não reduzir os impostos sobre alimentos nesta hora? A média de impostos sobre alimentos segundo a Associação Comercial de SP é de 35%, salvo sobre a carne que é 19%. Mesmo assim, a carne bovina teve uma alta só em junho de 40%.

Os fertilizantes que têm um peso enorme no custo da produção de alimentos subiram 100%. Os impostos sobre fertilizantes são da ordem de 40%. O Brasil importa 75% dos fertilizantes que necessita. Por que não reduzir estes impostos também? São idéias emergenciais que aplicadas por tempo restrito podem evitar especulações.

Mas a questão crucial e para mim a principal causa desta escalada da inflação é a falta de planejamento e seriedade desde bando de ineptos que compõe este governo.

Se tivessem reduzido os gastos públicos há 4 anos atrás ou pelo menos mantido os níveis de gastos de acordo com o crescimento do país, não haveria pressão sobre o consumo. Com a contenção dos gastos públicos não haveria necessidade de aumentar impostos e juros para sustentar a máquina emperrada, corrupta e burocrática. Pelo contrário, haveria sobra de arrecadação para investir em infra-estrutura (transportes, estradas,etc.), sobra esta propiciada pelo simples aumento da atividade econômica, com impostos e juros mais baixos.

Com uma infra-estrutura melhor, os custos de produção seriam menores, os juros poderiam ser menores, haveria maior incentivo à produção de alimentos para consumo interno e exportação. O Brasil é auto-suficiente em alimentos. Estamos entre os maiores exportadores de soja, carne, aves, somos auto-suficientes em arroz, feijão, milho, legumes, verduras, frutas mas no entanto estamos importando o PREÇO INTERNACIONAL destes alimentos e NÃO os alimentos.

Como vêem, a incompetência dos lulo-petistas, a má gestão dos gastos públicos aliada aos altos impostos e juros praticados está nos levando de volta à inflação, que é o pior de todos os impostos. Algum petralha desavisado pode até achar que eu estou feliz com isso. Não estou não. Os acontecimentos atuais só demonstram que eu estava certo ao avisar lá atrás que isso ainda iria acontecer. Pobres de nós. Tanto os 57% de ingênuos que acreditaram no bando e os 43% que não acreditaram. Estamos à mercê desta turma por mais dois anos e meio e o pior, de mãos atadas.

A única saída que vejo, é nas eleições municipais de 2008 procurar evitar que a maioria dos petralhas e asseclas não sejam eleitos. Assim quem sabe em 2010 baniremos de vez este bando de incompetentes e mentirosos.

Lanço aqui hoje a campanha:

EM OUTUBRO, NÃO VOTE EM PETRALHA! A VÍTIMA CERTAMENTE SERÁ VOCÊ!

3 comentários:

Fábio Mayer disse...

Tunico,

É fato que o Brasil pode estar embarcando no mesmo erro que cometeu no governo JK e no fim da década de 70, quando ao invés de buscar controlar a inflação pelos meios clássicos de conter o consumo e limitar gastos públicos, preferiu acelerar o crescimento econômico por meio de mais gasto público e mais consumo.

Essa é sempre a saída mais interessante para os políticos, porque consumo em alta e crescimento econômico, são sinônimos de popularidade, por mais que seja potencialmente danoso em futuro próximo, coisa que uma boa parte dos políticos não analisa, porque os mandatos acabam.

O Brasil hoje,está mais bem preparado para crises fiscais, mas isso não significa que está imune a elas.

O governo Lula tomou algumas medidas de desoneração tributária para combater a inflação. Diminuiu a CIDE sobre gasolina para evitar o aumento de preço na bomba, e o IPI e impostos de importação sobre o trigo, para evitar o aumento maior de seus derivados, que seria causado pela bolivariana estupidez argentina em limitar as exportações para nós.

Houve desoneração, mas tímida, se considerarmos que nos ultimos anos, havia possibilidade de desonerar ainda mais e preparar o país para uma oneração eventual futura, em caso de crise fiscal. Como está, a carga tributária diminuiu pouco, e não poderá ser aumentada no futuro para enfrentar crise fiscal, como foi feito nas décadas de 80/90.

Só que se isso teve o efeito de conter certos preços, manteve o consumo em alta, a ponto do próprio presidente já ter declarado em duas ou três ocasiões, que não podemos consumir mais do que produzimos, tentando alertar subliminarmente o povão para os riscos dos exageros de compras.

E ao mesmo tempo o governo não pára de aumentar gastos, uma boa parte, gastos ruins com contratação de comissionados, criação de ministérios, etc...

Enfim, é lenha na fogueira do consumo e na do gasto público, sem aliviar a carga tributária, e isso tem um limite que, se estourado, leva às mesmas crises fiscais graves pelas quais já passamos durante nossa história.

Talvez em menor escala, porque hoje há reservas em moeda forte, possibilidade de gerar superávits primários e um sistema arrecadatário muito mais eficiente. Mas o povão sofreria do mesmo jeito, e de modo grave.

Enfim, não digo que o governo do PT está de todo errado, nem acho que a solução seja enterrar o país numa recessão artificial.

Mas é preciso corrigir rumos e dosar certas políticas públicas, deixando de lado o populismo, mas prevenindo-se de problemas, o que, parece, não está acontecendo.

Eu vejo o Brasil agindo como se imune aos problemas, quando ele poderia desacelerar um pouquinho e prevenir-se de percalços futuros.

posturaativa disse...

uma campanha para ser amplamente divulgada

ZEPOVO disse...

Tunico,
Não perca o sono com a inflação.
Não faça "campanha " contra o PT.
A inflação está sendo importada, vc está certo. Também está sendo "fermentada" por quem prefere ver o Brasil pegar fogo se o PT queimar junto. Mas isto não vai ocorrer, pelo contrário, vários países vão entrar em crise e o Brasil não, já passou pela crise americana e agora vai passar pela crise da Europa. No fim de tudo vai sair fortalecido e acreditado.
Fazer campanha contra o voto no PT só seria produtivo se vc pudesse chegar ao público alvo que interessa, o que vc não consegue por falta de oportunidade e porque vc não quer o desgaste.